Publicada em: 9 de março de 2016

A história do Freio de Ouro

Competição teve origem no município de Jaguarão (RS) na década de 1970

Conheça a história do freio de ouro

A mais importante prova da Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC) teve origem na cidade de Jaguarão, no Rio Grande do Sul, em 1977. Até este período as exposições eram somente morfológicas, mas preocupados com a funcionalidade do Crioulo, alguns criadores do município organizaram a 1ª Exposição Funcional.

As instalações desta exposição eram modestas e o número de participantes limitado, mesmo assim a prova foi um sucesso crescente a cada edição chamando a atenção da ABCCC. Em 1980, a 3ª Funcional conseguiu atrair a atenção do país inteiro, sendo visitada pelo então presidente da República, general João Batista Figueiredo, um aficionado por cavalos.

Em 1982, ano do cinquentenário da entidade, o então presidente da ABCCC, Gilberto Azambuja Centeno, oficializou a prova campeira que seria realizada durante a Expointer, feira realizada em Esteio, no Rio Grande do Sul. O Freio de Ouro foi inspirado nas exposições funcionais de Jaguarão, que passou a ser uma etapa classificatória tal como Pelotas e Bagé. No ano seguinte, Uruguaiana também integrou essa lista.

No primeiro ano com as três classificatórias, participaram 12 animais, competindo, sem distinção de gênero. O primeiro campeão foi Itaí Tupambaé, filho de La Invernada Hornero (consagrado reprodutor da raça) e Preciosa dos Cinco Salsos, do criador Oswaldo Dornelles Pons e ginete Vilson Charlat de Souza, de Dom Pedrito.

Consolidação

A partir daí, o Freio de Ouro se firmou como o grande acontecimento da maior raça de equinos do Rio Grande do Sul. Em 1983, a prova do Freio de Ouro foi batizada com o nome de Roberto Bastos Tellechea, uma homenagem póstuma a esse incentivador da raça crioula. Em 1990, houve outra grande perda com o falecimento do veterinário Flávio Bastos Tellechea. Em reconhecimento, a prova Freio de Ouro levou o nome dos dois irmãos “Flavio e Roberto Bastos Tellechea”.

Desde o início até hoje, ocorreram mudanças devido ao crescimento dos adeptos da raça. Atualmente a competição conta com 12 classificatórias, duas delas internacionais, por onde passam mais de mil animais anualmente.

A grande final segue sendo realizada na Expointer e ainda é a prova que reúne maior número de público na feira.

Entenda o Freio de Ouro

A competição é dividida em sete provas, cada uma tem uma pontuação específica a ser conquistada pelo cavalo e pelo ginete. Quem obtiver melhor pontuação na soma das etapas é o grande campeão.

A primeira fase é a análise morfológica dos animais, na sequência vem o julgamento funcional feito nas provas de andadura, figura, voltas sobre pata e esbarrada, mangueira, campo e bayard/sarmento (disputada na última fase).

Conheça melhor as etapas:

Andadura: O equino é submetido as três andaduras típicas da raça, sendo elas o tranco, o trote e o galope.

Figura: O equino precisa realizar um percurso pré-determinado, demarcado com feno, no menor tempo possível.

Voltas sobre pata e esbarrada: Consiste na execução de três movimentos distintos: giro do animal sobre ele mesmo, esbarrada e recuada em linha reta.

Mangueira: Em uma mangueira de 16 x 9 metros, o ginete precisa manter apartado um novilho durante 45 segundos. Em seguida, realiza duas pechadas em um novilho.

Campo: Nesta etapa são executadas duas paleteadas com retomada e recondução do novilho.

Bayard/Sarmento: Consiste na realização de um percurso pré-determinado, em linha reta, onde deverão ser executadas esbarradas, atropeladas, voltas sobre pata e recuada. Esta prova é realizada na última fase do Freio de Ouro junto a repetição das provas de mangueira e campo que acabam sendo decisivas na escolha do grande campeão.

Foto: Gustavo D’Angiolella